Mindfulness, heartfulness e Miafulness

Be here now Ram Dass

Mindfulness tem se transformado numa grande moda. Tanto no mundo clínico como fora dele. Cada vez mais pessoas procuram esta ”técnica”, como muitas vezes é referenciada. Mindfulness está a ser valorizado como uma ferramenta e técnica terapêutica. Uma técnica como também pode ser uma dieta ou um programa num ginásio ou um medicamento. Não é tão comum ouvir falar do Mindfulness como uma forma de viver. Mas é isso que o Mindfulness é para mim. Não é apenas um programa de 8 semanas, se for considerado um programa, é um programa para a vida. Quando começas verdadeiramente a praticar não existe nenhuma data final. A prática será constante e para o resto da tua vida.

Há algum tempo sinto a necessidade de utilizar uma palavra diferente. Por muito que adore a palavra Mindfulness, começo a sentir a palavra um pouco esgotada, e insuficiente. Para não confundir o que faço com programas que prometem uma vida melhor após 8 semanas e outro tipo de promessas comerciais. As vezes digo que pratico Miafulness. Sei que o Mindfulness pode fazer imenso por ti. A verdade é que o Mindfulness pode mudar a tua vida agora, enquanto lês estas palavras. Basta teres essa intenção. Mas eu não te quero apenas incentivar a começar uma prática formal diária de Mindfulness, quero te inspirar e influenciar a viver uma vida Mindful, a partir de agora e daqui para a frente.

INSPIRA

EXPIRA

INSPIRA

EXPIRA

SEGUE A TUA RESPIRAÇÃO

INSPIRA

EXPIRA

SEGUE A TUA RESPIRAÇÃO

Nestas minhas reflexões sobre o que é Mindfulness para mim, cheguei à palavra Heartfulness.

Quando falo em Heartfulness quero levar o Mindfulness de volta às suas raízes.

Praticar Heartfulness quer dizer termos uma conexão com o nosso interior, com os outros e com a vida. E é por termos essa conexão que a nossa vida muda. É por termos essa conexão que nos sentimos melhor, mais felizes, mais preenchidos, mais em paz. É por termos essa conexão que sentimos menos stress e menos ansiedade. Não é apenas porque estamos a praticar meditação Mindfulness uma vez por dia. O Mindfulness não elimina as emoções negativas, mas permite-nos recebe-las e estar com elas de coração aberto. Permitindo que nos podemos sentir bem com o facto de nos estarmos a sentir mal! Quando juntamos Heartfulness ao Mindfulness estamos a observar o momento presente, sem julgamentos, exatamente como ele é, da mesma forma que se faz ao praticar Mindfulness, mas trazemos também intencionalmente, amor e compaixão para esse mesmo momento.

Neste estado estamos completamente focados no que se está a passar neste preciso momento. Tornamo-nos um com a vida. A nossa vida é o momento e se não prestarmos atenção ao momento… a nossa vida é apenas um conjunto de pensamentos sobre o passado ou o futuro. Quando deixamos a nossa mente sem rumo, com todos os seus pensamentos, temos a tendência de viver apenas no passado e no futuro… e muito pouco no presente. O sofrimento assim torna-se um conteúdo frequente na nossa vida. Vamos buscar sentimentos do passado que não pertencem a este momento, ou imaginamos eventuais emoções que possamos ter no futuro… que também não pertencem a este momento. A verdade é que o passado já não existe e o futuro é uma fantasia até acontecer.

Muitas vezes parece que a nossa mente tem vida própria e não assumimos a liderança sobre ela. Não temos nenhuma intenção ou nenhum propósito para a nossa mente e os nossos pensamentos. Em Mindfulness, o propósito (e intenção) é chave. Temos a intenção e o propósito de experienciarmos por inteiro, sendo ela a nossa respiração, uma certa emoção, uma acção específica ou uma parte do nosso corpo. Uma das práticas que fazemos dentro do conceito de Mindfulness é a Meditação Mindfulness, mas Mindfulness não é apenas meditação sentada com as pernas cruzadas. Mindfulness pode ser, e para mim é, uma forma de encarar a vida toda, um estilo de vida.

Podemos integrar vários tipos de prática de Mindfulness no nosso dia-a-dia sem ser a meditação sentada (embora isso seja a mais estudada e que recomendo imensamente). Um bom exercício para o dia-a-dia também é olharmos para a forma como comemos, ou a forma como executamos tarefas rotineiras do nosso dia, lavar os dentes, escovar o cabelo, tomar banho etc. Quando estamos a fazer algo de uma forma mindful, estamos propositadamente e conscientemente a colocar toda a nossa atenção no processo (e torna-se Heartful quando estamos mesmo presentes com amor e compaixão). Prestamos uma atenção muito consciente em todas as sensações que este processo envolve. Fazemos o que fazemos enquanto o fazemos. E cada vez que nos distraímos com os pensamentos, com gentileza redirecionamos a nossa atenção para o que estamos a fazer.

A prática mais revolucionária para mim no mundo de Mindfulness tem sido a prática e a integração das 7 atitudes de Mindfulness, e as 9 atitudes de Heartfulness como refiro no livro Heartfulness- Enfrente a vida de coração aberto: Não julgamento, paciência, mente de principiante, confiança, não-esforço, aceitação e deixar ir/deixar estar. Estas atitudes são obrigatoriamente abordadas quando trabalho com Mindfulness (e existem sempre como um fio condutor na minha vida e em todo o trabalho que faço) e hoje em dia adiciono a abertura e a generosidade.

Quando praticamos Mindfulness estamos a prestar atenção de propósito, no momento presente (aqui, agora) e sem julgamentos.

Se quiseres saber mais sobre a minha abordagem recomendo-te a exploração do meu livro Heartfulness- Enfrente a vida de coração aberto.

Prática de mindfulness

Algumas vantagens da prática de Mindfulness

Tenho muito cuidado em apresentar vantagens da prática de Mindfulness. É extremamente fácil entrarmos na prática com a agenda do ego (que quer sempre ganhar alguma coisa) e com objetivos específicos em mente. Quando entramos com a agenda do ego e com a ideia que vamos por exemplo ficar menos stressados, é a busca de menos stress que irá conduzir a experiência toda. Por esse motivo recomendo iniciar a prática de Mindfulness pela prática de Mindfulness em si, com curiosidade, abertura e generosidade. E com isso é muito provável que tenhamos “efeitos secundários” muito interessantes. Alguns desses efeitos poderão ser:

  • estar em melhor contacto consigo próprio, outras pessoas e a vida à volta
  • com confiança poder experienciar emoções, pensamentos e sensações que causam mal-estar
  • poder estar aqui e agora
  • sentir mais entusiasmo e energia perante a vida
  • lidar melhor com stress
  • lidar melhor com dor
  • entender que pensamentos e emoções vão e vêm, e são o que são
  • conseguir ver todas as coisas boas que já existem na vida, grandes e pequenas
  • desenvolver a auto-aceitação e, consequentemente, também a aceitação dos outros
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