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Nestes últimos meses tenho estado a conversar muito com pais de adolescentes e com adolescentes. Curiosamente, de ambos os lados há queixas sobre o outro que são muito parecidas…. e uma que é igual. ”Ele(a) não me ouve!”

Dissecando um pouco o ”ele não me ouve!” e olhando para as necessidades por detrás desta expressão o que é que conseguimos perceber? Bom, perdeu-se a conexão e a sensação de pertença, a sensação de se sentir importante e reconhecido pelo outro também. Parece que se vivem vidas paralelas e as tentativas que os pais fazem de aproximação não são bem aceites e as tentativas por parte dos jovens nem são entendidas. Não existem verdadeiros encontros entre pai/mãe e filho. É como se já não fizessem parte da vida um do outro.

Claro que, uma parte deste acontecimento é totalmente natural. Na adolescência existe uma necessidade (biológica) de desapego, tanto por parte dos pais como por parte dos filhos. Mas desapego não quer dizer desvinculação. Ou pelo menos não deveria significar isso.

Se olharmos para livros sobre parentalidade e educação, se pesquisarmos na internet, se explorarmos os grupos no facebook vemos como as preocupações andam na grande maioria dos casos à volta da gestão comportamental das crianças. Esse foco é o primeiro passo para a situação triste descrita em cima. Quando pais de adolescentes me procuram por causa de problemas com os filhos, na maioria (para não dizer em todos) os casos tem havido um foco grande no bom comportamento e na obediência. E pouco, ou nenhum, foco na criação de uma relação sustentável entre pais e filhos.

A boa relação é a principal ”ferramenta” que temos para educar os nossos filhos. Numa boa relação as crianças querem colaborar. Numa boa relação a criança cresce, aprende a tratar os outros com igual valor, respeita a sua própria integridade (sabe dizer não e demonstrar os seus limites com respeito) e a integridade dos outros (respeitando os nãos e os limites dos outros), vive com autenticidade e assume a sua responsabilidade pessoal. Para isto ser possível temos de saber criar bons encontros, desde a infância. E bons encontros não são criados com ameaças, gritos, subornos, castigos, palmadas e recompensas.

Se antes da adolescência os pais não terem chegado a conclusão que as ferramentas mais utilizadas não funcionam é muito provável que o aprendam nesta fase. Não é que deixam de funcionar, nunca funcionaram. Mas até este ponto o ”funcionar” significou a criança colocar de lado as suas necessidades e emoções. Mais velha, já não está disposta a fazer os mesmos sacrifícios.

As ferramentas tradicionais de educação são constantemente recicladas até quem alguém parar e conscientemente avaliar a sua utilização e as comparar com as suas intenções como mãe/pai. Aí descobrem, normalmente, que as ferramentas de maneira nenhuma combinam com as intenções.

A ideia dos ”bons encontros” por norma serve de resumo para a maior parte das intenções conscientes que tenho ouvido e lido. Pois, a partir deste encontros cresce a autoestima, a confiança, a compaixão, a empatia, o respeito, a autenticidade, a honestidade, a felicidade etc.

Há muitas coisas que podemos fazer para criar estes bons encontros. Mas a principal, tem a ver com o nosso autoconhecimento e desenvolvimento pessoal como pais. E é por aí que deveríamos todos começar. Só que o começo, é tão pouco interessante neste contexto. As primeiras preocupações quando se sabem que vem aí um bebé imensas vezes têm a ver com coisas materiais…. Escolher o berço ”certo”, o carrinho ”certo”, o porta bebés ”certo”, a primeira roupa ”certa” coisas que não interessam absolutamente nada para a criação de uma boa relação. E depois seguem-se uma série de preocupações que nenhuma delas contribuem para a relação onde futuramente vamos encontrar a solução para os desafios que temos com os nossos filhos.

O principal ”erro” dos pais de hoje (e de sempre) é acreditarem que podem ficar a conhecer verdadeiramente quem são os seus filhos sem se conhecerem a eles próprios. E sem nos conhecermos, não podemos criar encontros autênticos. Sem entendermos a influência que o nosso passado tem na forma como agimos hoje, não podemos influenciar totalmente o nosso futuro. Claro que este processo de autoconhecimento não se finaliza com a leitura de um artigo num blog, se é que alguma vez se finaliza. Mas pode-se certamente iniciar o processo… E é algo que vale mesmo, mesmo a pena fazer.

A principal forma de começar é através da reflexão sobre algumas perguntas que nos podemos fazer. Aqui vão 11 que podem revelar muitas coisas.

  1. De onde vêm as minhas crenças e práticas relacionadas com a parentalidade?
  2. Porque é que acredito naquilo em que acredito?

  3. Pude sempre ser quem queria ser na minha infância/adolescência?

  4. O que diz a minha voz interior? Que palavras utiliza? De onde vêm?

  5. O que eu que eu precisava de ter ouvido quando era criança?

  6. Quais são as principais coisas que me irritam com os meus filhos? Quais são os gatilhos? De que é que me lembram da minha infância?

  7. Como lido com emoções ”negativas”? Quais são as emoções me desafiam? Porque me desafiam?

  8. O que faço hoje que os meus pais faziam e que eu não gostava?

  9. O que é o mais importante na relação com o meu filho?

  10. Qual é a relação que quero ter com o teu filho? O que estou a fazer para criar essa relação?

  11. Consigo deixar o meu filho ser quem ele é, sem impor as minhas expectativas?

Há muitas mais perguntas e muito mais trabalho que podemos fazer. E quanto mais refletimos, mais aprendemos e mais fácil tudo se torna. O que vejo acontecer nas famílias onde os pais assumem total responsabilidade pela relação que têm consigo mesmo e a relação que têm com o filho é mágico. O investimento e o esforço dos pais reflete-se rapidamente no comportamento, nas atitudes, na motivação e no bem-estar, da família toda.

 

Na próxima 3ª feira, dia 16 de Abril, às 22h (hora de PT), vou partilhar contigo como é possível ter filhos que te escutam e colaboram, sem gritos, ameaças, e outras tradicionais técnicas com base no medo e na opressão.

 

Vou também partilhar como criar uma comunicação consciente é o segredo para eliminar o conflito, a agressividade e lutas de poder na relação com os nossos filhos e ainda p orque a metodologia de comunicação consciente é “o gatilho” para criar crianças resilientes, auto confiantes, motivadas e seguras que estão prontas para se expressarem no mundo real.

 

Tudo isto numa Masterclass ONLINE 100% gratuita, para todos os pais que sentem que existe uma maneira mais saudável, amorosa e consciente de construir  relacionamentos.

 

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Mia

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