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“Crianças não precisam de educação precisam de orientação empática.” 
~Jesper Juul

Estou a tirar um curso com o terapeuta de família Jesper Juul. E em breve serei facilitadora diplomada da Family Lab International! O Jesper é dinamarquês e conhecido em muitos países do mundo, embora muito pouco conhecido em Portugal mas espero vir a alterar isso!

Descobri os livros do Jesper há alguns anos atrás e foi como chegar a casa….. Tantos, “ahas”… “pois claro” e alguns “ouups”… “faço tudo mal”…. O Jesper escreve sobre o que se calhar tradicionalmente chamamos “educação”. Não apresenta nenhum único método, o que as vezes pode ser frustrante….

Com o Jesper aprendi a ser mãe de dentro para fora. E a partir de agora, quero começar a inspirar outras mães, e também pais, avós, tias e tios… a fazerem o mesmo. E hoje queria começar por uma relfexão sobre “educação”….

Já alguma vez te sentaste com o teu parceiro para definir qual o vosso propósito como pais? Agora a sério. Sabes dizer, com toda a certeza qual o teu propósito com os teus filhos? Admito que até bem pouco tempo eu própria não tinha o meu próposito assim tão esclarecido….

Quando falo com pais sobre isto dizem coisas como, quero que o meu filho seja feliz… que estude, que tire um curso superior… A maior parte das vezes os objectivos são ligados ao futuro da criança, focando se em áreas como educação formal e trabalho. E depois a felicidade vem por acréscimo. (Demasiadas vezes, a criança é tratada como um “projecto” e não como um ser com as suas próprias características….)

A forma que “educamos “ os nossos filhos tem nomeadamente a ver com as normas que reinam a nossa volta, misturado com alguns “não vou fazer o que os meus pais faziam” e/ou “quero que os meus filhos tenham tudo melhor do que eu”…. O que percebi é que para mim a forma que me relaciono com os meus filhos terá que estar inteiramente ligado ao meu (e nosso) propósito como mãe (e pais).

Quero apresentar um propósito (inspirado pelo Jesper Juul, claro)…

O propósito com a aprendizagem que quero proporcionar aos meus filhos e de lhes dar a possibilidade de desenvolver o seu potencial completo, todo o seu ser humano, emocionalmente, intelectualmente e fisicamente e que consigam viver e conviver com outras pessoas de uma forma apoiante e que saibam respeitar todas as necessidades individuais (os seus próprios e dos outros) e também da sociedade. 

Em vez da palavra educação prefiro utilizar palavras como desenvolvimento e orientação. Podes achar que é só um jogo de palavras e que para ti a educação significa isso mesmo. Mas acredita que a escolha da palavra pode fazer toda a diferença, porque para uma grande parte das pessoas não é bem assim….
Quando estamos com o objectivo de “educar”os nossos filhos pensamos nomeadamente em situações sociais…. Utilizamos expressões como “Isso não se faz…” “Tens que dizer obrigado…” “Agora tens que ficar calada…” etc…. E depois quando a criança não faz o que é mandada é rotulada como uma criança “mal-educada”….. E este tipo de “educação” não desenvolve a criança. São só palavras que por si só fazem mais mal do que bem…

Considera também a seguinte cena (que assisti há algum tempo atrás):
Um menino bateu noutro menino. O pai do menino que bateu pegou no seu filho, deu lhe um estalo e disse: “Não se bate nos meninos!”. Não são precisos comentários pois não?

O que realmente desenvolve a criança em primeiro lugar é quando ela interage contigo, e com a família mais próxima. É quando ela observa os teus sentimentos, o teu comportamento. Os teus conflitos, as tuas crises. A tua felicidade, a tua paixão. A tua alegria, a tua tristeza. A forma que tu tratas o empregado no restaurante. A forma que reages quando alguém te bate no carro. A forma que agradeces uma prenda que recebes (e se calhar nem gostas muito…).

É neste tipo de situações que a criança desenvolve (e torna-se uma criança “educada”)…. É assim que ela vai formar a sua personalidade, e a forma como ela se vai relacionar com outras pessoas. Não é quando a obrigamos a dizer obrigada….. (Podemos conversar também sobre estas situações noutra altura, e aí estamos a fazer a parte da orientação).

E hoje vou parar por aqui. Nos próximos tempos vou escrever mais sobre estes temas (e em breve até vou dar seminários inspiracionais). Espero que gostes!

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