No domingo coloquei um status no Facebook que gostaria de explorar um pouco mais. A minha intenção às vezes pode ser provocar, mas principalmente quero fazer questionar, refletir, pensar…. Por isso, convido-te a fazer isso mesmo, questionar, refletir e pensar e levar daqui deste blog aquilo que faz sentido para ti.

Noutro dia ouvi a seguinte frase, dita por uma mãe que estava contente por a filha ter ajudado a arrumar os brinquedos:

“Linda menina, ao ajudar estás-te a portar muito bem. Assim és a menina da mamã!”

Qual será a intenção desta frase? Provavelmente a mãe quis incentivar a filha a ter um “bom comportamento”, provavelmente quis demonstrar a sua gratidão, satisfação e, provavelmente, quis reconhecer o esforço da filha. Ou seja, a intenção foi boa e positiva.

Qual é o problema com esta frase então? Certamente não a intenção. E também não haverá grande problema se a criança ouve este tipo de coisas poucas (muito poucas) vezes. Mas, vamos então olhar melhor para a frase:

Linda menina, ao ajudar estás-te a portar muito bem.” – porque é que queremos que a criança ajude a arrumar? Para se portar bem (e porque tem medo de ser excluída, ter vergonha ou de ter sentimentos de culpa) ou porque quer contribuir para o bem estar do sistema onde está inserida?
Assim és a menina da mamã!” – será que quero mesmo passar a mensagem que a minha filha só é “a menina da mamã” se ela fizer o que eu lhe digo, e só quando ela se “portar bem”. Será que quero passar a mensagem que a minha filha só tem valor para mim nestas situações?
Ó Mia, mas agora estás mesmo a exagerar! Não é assim tão grave…

Não sei se é grave ou não, só sei que os efeitos a longo prazo deste tipo de frases não ajudam a desenvolver e solidificar a auto-estima dos nossos filhos. Mas, claro que isso também depende de quais são os meus objetivos como mãe ao longo prazo.

Neste exemplo específico a mãe provavelmente quis reforçar que gostou mesmo do comportamento da filha e que gostava que ela tivesse sempre esse comportamento. Se o nosso objetivo for ter uma criança com boa auto-estima, que sabe o que é empatia e que gosta de contribuir para o sistema porque sente isso do seu interior (e não porque tem medo de ser avaliada, castigada, de ter vergonha ou sentir culpa), então gostaria de dar um exemplo de como um feedback mais específico, sem julgamentos, e principalmente um feedback pessoal, pode ser:

“Muito obrigada, filha. Foi muito importante para mim teres ajudado, gosto muito de trabalhar em equipa contigo.”

Ao exprimir-me desta forma, estou a falar do meu ponto de vista pessoal, digo o que é importante para mim como mãe e a criança fica a conhecer-me a mim um pouco melhor. Estou a dar valor sem avaliação e julgamento, que é chave no desenvolvimento da auto-estima. Estou a ser autêntica e estou a exprimir as verdadeiras razões da minha satisfação. A minha filha consegue aprender algo sobre mim, sobre o que é trabalho em equipa, um pouco sobre o mundo, sem ideias de certo e errado. Mantenho também a intenção inicial e ao mesmo tempo consigo apoiar a criança no caminho de solidificar a sua auto-estima.

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